8ª Expedição: Visitando a Associação dos Feirantes

RUAS
Carlos Drummond de Andrade

Por que ruas tão largas?
Por que ruas tão retas?
Meu passo torto
foi regulado pelos becos tortos
de onde venho.
Não sei andar na vastidão simétrica
implacável.
Cidade grande é isso?
Cidades são passagens sinuosas
de esconde-esconde
em que as casas aparecem-desaparecem
quando bem entendem
e todo mundo acha normal.
Aqui tudo é exposto
evidente
cintilante. Aqui
obrigam-me a nascer de novo, desarmado.

edna e clara
Hoje, dia 15 de setembro, antes de iniciarmos o trabalho com as Bibliorodas, resolvemos ler poesia; para isso, chegamos mais cedo ao Shopping Popular. O texto escolhido foi o poema de Drummond, citado acima.

O poema convida à exposição, ao nascer de novo e se desarmar e isso tudo nos inspira a continuarmos nossas expedições sem grandes expectativas, mas com muita doação.

Recarregadas da poesia de Drummond, colocamos nossos aventais, pegamos nossos carrinhos, arrumamos os livros e fomos ao encontro do nosso leitor. Hoje, começamos por um roteiro bem diferente dos anteriores. Pela primeira vez, subimos as escadas da administração e fomos até lá, oferecer/mostrar nosso cardápio literário aos amigos da Associação dos Feirantes do Shopping Popular de Ceilândia.

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A acolhida foi muito boa. Sentimos que o nosso trabalho tem a simpatia daqueles que administram o Shopping Popular. Depois de uma boa conversa e de deixarmos livros para pegarmos daqui a 15 dias, retomamos ao roteiro das expedições anteriores. Saímos com o nosso mapa dos leitores e fomos receber os livros deixados por empréstimo.

Chegávamos as bancas, eles começavam a nos contar das obras lidas. O brilho nos olhos e o jeito de contar as histórias lidas foi um diferencial. Sentíamos o prazer da leitura compartilhada. E eles começavam a caminhar por um novo caminho. Os diálogos dessa vez se intensificavam sobre a opção do livro a ser emprestado. Os leitores-feirantes começavam a escolher com mais propriedade o que leriam… Alguns declaravam abertamente que ainda não terminaram a leitura e que desejavam renovar o empréstimo.

Houve uma leitora que, de uma forma muito sincera, nos contou não ter gostado do livro que leu … e nós decidimos pedir a uma outra feirante que lesse o livro e nos desse sua impressão para que conhecêssemos mais sobre a impressão da leitura desta obra… Só saberemos a resposta daqui a quinze dias.

Muitos feirantes nos perguntaram: o que vocês têm de novo aí, hoje? Tem livro de quê? E eles também conversavam entre eles sobre o que leram na última quinzena, o que gostariam de ler… e a prosa, agora, na maioria das vezes, tinha como assunto principal a leitura literária. Nesse dia recolhemos muitos livros e fizemos nove empréstimos novos.

Equipe: Clara Etiene e Edna Freitas

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