Oásis no Cerrado: Encontros e Encantamentos

Na tarde do último sábado, quando os termômetros marcavam mais de 30 graus em Brasília, saímos rumo à São Sebastião para fazer os primeiros contatos com duas comunidades indicadas pelos participantes da Oficina de Sensibilização de Leitores que aconteceu no IFB dessa cidade .

Esse primeiro reconhecimento sempre nos traz alguma ansiedade. Será que o Bibliorodas será bem recebido? Encontraremos as pessoas certas que poderão autorizar as expedições? Será que nossa agenda estará adequada à realidade de cada local?

Com essas perguntas na cabeça chegamos ao primeiro local mapeado: a Feira Permanente de São Sebastião. Feira organizada, com muitos expositores, diversos artigos e muitas pessoas trabalhando, jovens e adultos. Passeamos entre as bancas por alguns minutos e íamos cumprimentando as pessoas. Entre um “boa tarde” e outro, paramos e perguntamos a um dos feirantes: “Onde fica a Administração da feira?”. A resposta, rápida que veio, foi que a presidente da feira estava logo ali na banca atrás de nós.

Deu-se o encontro!

 

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Fomos nós que nos apresentamos para Dona Ana Lúcia, presidente da Associação dos Feirantes. Logo se achegou também Ana Cláudia, membro da Diretoria da Associação. O bate-papo aconteceu ali mesmo no meio da feira, apresentamos nossa ação e explicamos a gratuidade do empréstimo dos livros, a periodicidade das circulações, mostramos fotos de outras expedições.

As duas feirantes ficaram animadas com a proposta. Ana Cláudia disse logo: “Precisamos muito disso!”.

Ouvimos as feirantes falarem sobre o funcionamento da feira, os dias de maiores fluxos, seus projetos e acordamos a Expedição Literária do Bibliorodas para novembro. Estamos muito felizes com essa nova parceria porque acreditamos que na rua, no meio do povo, os livros também têm o seu lugar!

A tarde já teria sido ótima até aí, mas como ficamos animados, decidimos seguir viagem. O próximo destino foi o Acampamento Tiradentes. Dessa vez as dúvidas eram maiores ainda porque em acampamentos nunca havíamos ido antes.

Fizemos uma ligação para Dona Josefa, líder do acampamento, e ela disse que estaria à nossa espera. Enviou-nos o localizador e fomos seguindo a rota. Estrada de chão a dentro, tudo era novidade. Muito sol, muita poeira e no meio do caminho tinha o Danilo. Esse menino apareceu no meio da poeira, com mochila e sacolas. Paramos o carro e oferecemos carona.

Danilo nos contou que estava vindo do Plano Piloto, falou com tanta alegria do projeto “Chica de Ouro”, mostra de curtas da Escola São Francisco. Na bagagem, carregava um tripé e uma máquina fotográfica que ele conseguira emprestados. Quanto brilho naquele menino! Foi ele que nos mostrou a entrada do Acampamento. Nós ficamos e ele seguiu caminhando, disse que chegaria em casa em 20 minutos.

Esse menino anjo no meio do caminho foi o prenúncio de mais um encontro muito especial.

Dona Josefa estava a postos com um sorriso largo no rosto. Pedimos que ela nos contasse a história do acampamento. Ela contou dos anos de luta, da resistência, de como as  mulheres se tornaram liderança. Falou com muita naturalidade e beleza do sentimento de família e pertencimento que existe hoje naquele lugar, das hortas comunitárias, das refeições partilhadas, do cantinho para as crianças. Um exemplo de convivência harmônica firmado na simplicidade e no respeito.

Deu-se o encantamento!

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Acampamento Tiradentes: Clara, Edna, Josefa e Enilde.

Falamos da nossa intenção: “Queremos trazer literatura para vocês, emprestar livros, partilhar leituras.”. Dona Josefa e Dona Enilde acolheram a ideia com muito entusiasmo. Organizamos as agendas e acertamos nossa ida com os livros também para novembro.

Tudo isso aconteceu em uma única tarde. Em um intervalo de três horas conhecemos duas novas realidades, nos aproximamos de novas pessoas, nos aventuramos a ir ao encontro do outro para ouvir e aprender. Por mais que saibamos da necessidade de lermos, estudarmos e refletirmos, essa tarde foi emblemática no sentido de nos mostrar que nada supera a experiência real.

Voltamos de São Sebastião naquela tarde quente como se tivéssemos encontrado um oásis no deserto! Na bagagem, mudas de alecrim e tomilho, além do buquê de flores de manjericão, presentes do Acampamento Tiradentes.

Expedicionários: Clara, Edna e Rafael.

 

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Oficina de Sensibilização de Leitores – IFB São Sebastião

Ontem, dia 04 de outubro, 21 participantes  concluíram  a Oficina de Sensibilização de Leitores no IFB de São Sebastião. Foram quatro encontros com muito diálogo, leituras, movimento e aprendizado.

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Agradecemos o trabalho altamente qualificado e sensível dos nossos colaboradores:

  • Cida Maria Bomtempo, nossa professora de Yoga e agitadora do Bibliorodas no Varjão;
  • Estevon Nagumo, educador e nosso fotógrafo, editor e produtor de imagens;
  • Rafael Batista, professor de Literatura e nosso articulador dessa inicicativa com o IFB de São Sebastião.

Agradecemos à energia acolhedora e transformadora de todos os participantes.

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Acesse aqui mais fotos:

Fotos do 1º Encontro da Oficina de Sensibilização de Leitores – IFB São Sebastião

Fotos do 2º Encontro da Oficina de Sensibilização de Leitores no IFB – São Sebastião

Fotos do 3º e 4º Encontro da Oficina de Sensibilização de Leitores no IFB São Sebastião

 

 

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Os livros esperam e os leitores chegam…

Memórias de uma sensibilizadora de leitores no Varjão – DF

por Cida Maria Bomtempo

Decidi levar o Bibliorodas para o Varjão, bairro na periferia de Brasília em abril de 2016. Lá iniciei uma expedição  literária . Escolhi explorar a pracinha central daquela cidade. Levei os livros no carrinho , mas optei por distribuir o acervo para melhor visualização do leitor em uma mesinha da própria praça.

A primeira expedição foi árida, parecia que não ia fluir. Pessoas desconfiadas passavam longe dos livros. Os livros espalhados sobre a mesa, esperavam pacientemente a vinda dos leitores.

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Lançava o convite para os transeuntes: “Aceita um livro?”.

“Quero não, dona, obrigada.” vinha-me como resposta. Alguns passavam e logo perguntavam “Dona, é pra vender?”

Não sabiam do que se tratava. Embora  eu contasse toda a história do projeto, nada acontecera para aqueles curiosos  nas minhas primeiras idas ao Varjão.

Eu decidi persistir. Aprendi a paciência dos livros e coloquei-me a esperar os leitores.

Até que um dia,  um rapaz de sotaque francês aproximou-se  e me disse que havia chegado do Haiti e procurava  emprego. Precisava de um dicionário  Francês/Português para ajudá-lo a entender a nossa língua e facilitar sua comunicação. Pensei que poderia tentar ajudar aquele rapaz e fui em busca do tal dicionário. Foi no Cebinho da Asa Norte que consegui um dicionário para o rapaz.  Na quinzena seguinte, eu estava de volta à praça com o dicionário à disposição.

O rapaz também voltou à praça e ficou extremamente feliz ao ter em suas mãos o livro desejado. Para ele, ter o tal dicionário em suas mãos,  parecia algo inacreditável, quase um milagre mesmo… Tão comovido ficou o rapaz com a aparição do dicionário que, dessa vez, pediu para eu encontrar uma namorada para ele… Esse desejo, o Bibliorodas não realizou. Torço para que  o tal rapaz, agora com seu dicionário em mãos, consiga realizar seus sonhos…um emprego, uma namorada. A leitura abre tantas portas!

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Praça do Varjão – DF

Outro dia, uma senhora saindo da igreja com suas netas manifestou-se curiosa por aqueles livros sobre a mesa. Foram chegando sorrateiramente e eu as recebi oferecendo os livros.  Foi um encontro maravilhoso! Ouvi histórias incríveis contadas por aquela senhora e descobri que aquelas meninas eram leitoras! Embora a vó não soubesse ler, ela estimulava suas netas a gostar de livros. Pude ver seus olhos brilharem quando viram tantos livros. A menina menor, com seus 9 anos, escolheu um livro e disse:”Já sei, na próxima vez, vou levar esse outro.” Então, perguntei se ela gostaria de levar os dois. Ela se surpreendeu com a possibilidade. Levou os dois. Sua irmã também escolheu um livro e saíram saltitantes  com a novidade. A partir desse dia, elas passam quinzenalmente na pracinha para deixar os livros lidos e pegarem outros. São minhas leitoras assíduas. E eu sempre as espero, escolho alguns livros para a expedição pensando nelas…

Certa vez, apareceu uma leitora voraz. Embora já tivesse lido muitos livros que estavam disponíveis no nosso cardápio, ela sempre encontra novidade.  Procurei saber de seus interesses e, nas expedições seguintes, pude atender ao seu  gosto literário. O trabalho de indicar livros me provoca a tentar entender a sensibilidade do outro, é um aprendizado muito rico.

Outra leitora assídua é uma mãe que sempre pega um livro para ler para seu filho que tem apenas 6 anos. ela pega o livro, mas quem escolhe é ele. Ele manifesta sua autonomia e identidade ao argumentar a espeito das histórias que quer conhecer.

A relação que cada leitor estabelece com os livros é sempre uma experiência singular permeada pelo descobrimento do gosto, da identidade, das escolhas, uma verdadeira vivência de liberdade.

Nesse pouco mais de um ano, observo que sempre aparecem leitores novos que me  surpreendem, sobretudo as leitoras… E essa aproximação dos leitores é o  principal estímulo para a continuidade de minhas expedições literárias naquela pracinha.

Contabilizando os livros que foram emprestados, fiquei surpresa ao perceber hoje que já circulamos 100 livros no Varjão!

Texto de Cida Maria Bomtempo

Serviço: aos domingos, a cada quinze dias, na pracinha principal do Varjão, os livros do acervo do Biblirodas são expostos para empréstimos. A responsável por essa ação é a Cida Maria Bontempo.

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Livros à espera de leitores 24h

É preciso dedicar tempo para observar o vai e vem dos leitores na praça. Há aqueles que olham os livros de longe e passam, há aqueles que no segundo olhar vão se achegando, pegam um livro, sentam no banco, mergulham na leitura. Há ainda aqueles que altas horas da noite, quando as luzes da praça já estão apagadas, saem de suas casas, vão até a casinha dos livros, escolhem o livro e, pé-ante-pé, retornam para suas casas de posse do livro.

Pela manhã e no início da noite, mães e avós com filhos e netos, tomam banho de sol ou saboreiam a luz do luar e aproveitam para escolher um livro ou devolvem o já lido. À tarde e na noite mais avançada, adultos e jovens se encontram na praça. Entre uma conversa e outra, devolvem livros e escolhem a próxima leitura.

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Dona Lourdinha, com mais de oitenta anos, é leitora assídua. Podem conversar à vontade perto dela. Nada a afasta da história do livro que tem em mãos. Nada mesmo!

Marcos, de uns 10 anos de idade, morava nas proximidades. Foi morar um pouco mais longe. A avó, continua trazendo Marcos para escolher livros, levar para ler em casa e depois, voltam para escolher outras histórias.

Maura, na volta do mercado, com o carrinho cheio de compras, faz uma pausa. Pega um livro e começa sua leitura. Maura, você pode levar e ler em casa. Prefiro ler aqui, nesta sombra, ouvindo o barulho da água da fonte. Leio um pouco, volto noutro dia para continuar a leitura. E se outro leitor levar o livro¿ sempre torço para que isso não aconteça. Se acontecer, pego outro livro. Sorrimos juntas.

Ítalo é leitor voraz. Ao conhecer a casinha do Bibliorodas, deixou de pegar livros na biblioteca da escola em que estuda. Apesar de morar em outro bairro, ele vem com a mãe de ônibus, pega de 6 jardim_américa_2_jpega 8 livros, Sem data para devolver. Mas o garoto é rápido e está sempre indo e vindo. Noutro dia a mãe de Ítalo me telefonou aflita. Que saiu do trabalho com o filho, foram para o ponto de ônibus com a sacola cheia de livros do Bibliorodas para serem devolvidos e pegar outros. O ônibus demorou muito para chegar. Quando chegou, correram para conseguir uma vaga no assento. Logo perceberam que a sacola com os livros ficara no banco da parada de ônibus. E agora, o que fazer? Perdemos todos os livros. Como pagaremos esses livros, eram livros muito bons, escolhidos à dedo, pelo Ítalo.  Do outro lado da linha, disse a ela: “Sônia, fique tranquila. O Ítalo não perdeu os livros. Com certeza esse esquecimento fez outro leitor muito feliz. Quem encontrou a sacola de livros, certamente gostou do presente. Diga ao Ítalo para ficar em paz e para vir pegar novos livros.”

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Outro dia, avistei um garoto sozinho na praça, com a bicicleta descansando ao chão. Absorto na leitura. Cheguei bem devagar. Começamos a conversar. Seu nome: Fábio. Vem sempre para ler na praça. Prefere ler ouvindo os pássaros, o barulho da fonte de água, gosta da ideia dos livros disponíveis na praça, procura para reler livros da coleção Diário de um Banana. Prontifiquei-me a conseguir a coleção para ele, do jeito que gosta, LER NA PRAÇA.

Bibliorodas 24 horas… Livros ao alcance da mão todo o tempo, no tempo de cada um. E seguimos ouvimos e contando muitas histórias, lidas e vivenciadas com os livros no meio da praça.

Serviço: O Projeto Bibliorodas mantém uma casinha com livros literários na praça do condomínio Jardim América em Sobradinho – DF. Os livros são organizados e substituídos periodicamente para que os leitores sempre tenham novas opções de leitura. Nesse caso, os livros ficam à espera dos leitores que circulam livremente pela praça e podem ou não pegar livros emprestados para a leitura. Além de contarmos com a autorização do Condomínio, há uma rede de colaboradores por lá que nos ajudam a cuidar do acervo. 

Texto de Edna Freitas

 

 

 

 

 

 

 

 

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OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO DE LEITORES em São Sebastião – DF

Começa amanhã, dia 06/09, a Oficina de Sensibilização de Leitores no IFB – Campus São Sebastião. As inscrições estão encerradas, porque as vagas já foram preenchidas.

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Já está aberta a pré-inscrição para a OFICINA DE SENSIBILIZAÇÃO DE LEITORES. Trata-se de uma parceria entre o Bibliorodas- Expedições Literárias e oLaboratório de Leitura e Produção de Texto.
A oficina vai acontecer nos dias 6, 13, 27 de setembro e 4 de outubro, totalizando 20h, sempre às 19h. O objetivo da oficina é propor práticas de sensibilização dos leitores e propor ações que oportunizem a leitura literária para diferentes públicos, sobretudo para aqueles excluídos dos processos de letramentos formais.
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Atenção, concentração e mãos à obra!

A oficina para organização do acervo do Projeto Ler é Legal no MPDFT aconteceu no dia 21 de junho. O propósito desse encontro foi organizar os livros disponíveis no projeto para facilitar o acesso do público leitor. A metodologia adotada para classificação dos livros  foi a mesma criada para o Bibliorodas: os livros são classificados por cores e cada cor corresponde a um “tipo” de livro.

A tipologia dos livros é pensada na perspectiva dos leitores. Nessa metodologia de classificação, por exemplo, livros com narrativas longas  e muitos personagens são demarcados com uma etiqueta vermelha. Livros com histórias curtas , narrativas rápidas e cotidianas recebem outra cor. A organização do acervo do “Ler é Legal” deu-se com a utilização de seis cores que foram discutidas com o grupo num momento anterior ao dia da organização do acervo em si.

Como as etiquetas já estavam preparadas para a oficina, o desafio proposto foi juntar todos os livros do projeto e, um a um, classificá-los de acordo com as cores definidas.

Antes de iniciarmos esse trabalho manual, a equipe do MPDFT foi presenteada com uma experiência do que poderíamos chamar de “percepção de si”. Esse momento foi conduzido pelo nossa amiga e colaborados do Bibliorodas, Cida Bontempo, que convidou a todos para uma prática rápida de Yoga. Foram preciosos minutos dedicados à respiração, concentração, percepção do corpo e do presente.

Cida nos falou da alegria de poder estar ali com o grupo para participar dessa ação em benefício de outras pessoas e do quanto é importante entendermos que para irmos ao encontro do outro é preciso que busquemos primeiramente essa consciência do presente, do que somos e de como estamos.

Depois dessa prática introdutória, todos os livros foram classificados pelos agentes de leitura do MPDFT. O trabalho que parecia dispendioso foi concluído em poucas horas. No final da tarde, todos os livros estavam classificados, etiquetados e devidamente distribuídos nas prateleiras para a alegria dos futuros leitores.

Nossa gratidão aos colegas do Projeto Ler é Legal que durante três encontros nos mostraram que novas possibilidades de aproximação entre leitor e leitura estão sendo carinhosamente preparados.

Em breve, certamente, teremos boas notícias do “Ler é Legal”!

 

 

 

 

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Amanhã todos terão, eis a lição.

Durante as últimas três semanas nos conectamos com  a poesia, a leitura e a memória de Reynaldo Jardim; experiência que nos anima a irmos ao encontro de novos leitores. Agora, os livros do Rey, como era carinhosamente chamado pelos seus amigos, ganharão asas e poderão habitar novos imaginários.

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Primeira lição

Algo é preciso dar
e não reter, não mentir,
não trair, não subornar
o próprio coração.
(Mas dar pela razão)

Algo é preciso dar:
mesmo a terra de uso.
Mais que o sangue ao banco,
O coração a quem menos queremos
ou desejamos.
Mais que o corpo morto
ao bisturi dos estudantes.

Algo de nós:
mais que o essencial.
O sol da madrugada.
O sal do sono.
A bandeira de trégua.
O salário da greve.
(Sementes para o trigo de amanhã).

Algo de nós:
Não o gesto de luta,
mas a luta.
Não a caridade piedosa
e nossa floração de ouro e rosa.

Algo é preciso dar, Sebastião.
Algo de amar, algo de pão.
Hoje é o verbo dar
a primeira lição,
Pois assim amanhã todos terão.

JARDIM, Reynaldo.  Joaquim e outros meninos.  Rio de Janeiro: Oficinas Gráficas do Jornal do Brasil, 1955. Disponível em: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/reynaldo_jardim

Desde que iniciamos nossas atividades em 2010, recebemos de amigos conhecidos e desconhecidos doações de livros. No começo eram apenas quatro prateleiras de uma pequena estante que abrigava as primeiras doações que somavam cerca de duas centenas de livros, hoje são milhares de livros; quase todos frutos de doações.

Toda doação nos emociona, é energia que pulsa e alimenta nossa esperança. Os amigos doam livros e nós doamos ideias e ações para promovermos a circulação e a leitura literária. O acervo do Bibliorodas hoje é o conjunto de várias histórias, pedaços de tantas leituras, vestígios de tantos leitores.

No mês passado, fomos contatados pela amiga Elaina Daher, sua oferta: uma estante com acervo e tudo.  Tratava-se  de parte expressiva da biblioteca do poeta e jornalista Reynaldo Jardim, autor do poema que compõe este post. Imediatamente confirmamos o interesse. Passamos alguns dias planejando a logística de retirada da mobília e acervo e no dia 17 de fevereiro fomos buscar uma linda estante de 3,5 metros de comprimento e centenas de livros que foram trazidos para o espaço do Bibliorodas.

Passamos três semanas analisando e classificando a doação recebida. Primeiro remontamos a estante com o cuidado que a peça merecia. Depois foi a vez de abrir as caixas de livros, uma a uma. Algumas dezenas de livros de poesia e  romance foram separadas para o acervo do Bibliorodas. Já os livros de teoria, crítica e história foram organizados em cinco caixas para doação à Biblioteca do Instituto Federal de Brasília, Campus São Sebastião, para onde irão obras de autores como Sartre, Paulo Freire, Platão, Freud e duas coleções de capa dura: uma de Monteiro Lobato e a outra de Eça de Queiroz, as coleções merecem lugar numa estante de acesso público, grandes e imponentes que são.

Feita a seleção, promovemos parte do nosso acervo para as prestigiadas prateleiras da nossa memorável estante. Agora o nosso espaço tem também um pedacinho de Jardim.

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Espaço Bibliorodas 

A nova estante já abriga centenas de livros classificados e organizados pelo Bibliorodas, a funcionalidade e beleza do móvel protege os livros da poeira e confere grande prestígio ao nosso projeto.

Os livros ficam nesse espaço aguardando o momento de cada circulação, quando irão ao encontro dos queridos leitores.

Gratidão à família Jardim pela generosa doação.

 

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“Ler é legal”

No dia 10 de fevereiro tivemos a alegria de participar do lançamento do Projeto “Ler é Legal” no MPDFT, o projeto nasce com a proposta de promover o acesso da comunidade que frequenta as promotorias aos livros. Fomos convidados pelo Procurador de Justiça Fausto Rodrigues de Lima e sua equipe a contar um pouco da história do Bibliorodas.

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Foi muito gratificante para os colaboradores e voluntários do Bibliorodas saber que nossa experiência pode contribuir para ampliar os espaços e oportunidades de leitura para a comunidade em geral.

A Promotoria de Justiça de Violência Doméstica contra Mulher de Brasília reorganizou seu espaço com disponibilização de acervo literário variado para que as pessoas possam escolher livros que poderão ser emprestados para  a leitura. Os livros e a organização dos espaços, com poltronas e imagens para estimular a leitura, trazem um novo ar aos corredores do Fórum, agora mais humanizado e acolhedor.

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Nós do Bibliorodas consideramos a inciativa dos servidores do MPDFT exemplar, agradecemos imensamente a oportunidade de participar desse momento e ficamos à disposição para colaborar no que for preciso.

Saiba mais sobre o Projeto Ler é Legal:
aqui:http://www.mpdft.mp.br/…/programas-e-projetos-m…/ler-e-legal

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A praça é dos livros

“A praça! A praça é do povo
Como o céu é do condor
É o antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor!”

(Castro Alves)

As pessoas precisam ter acesso aos bens que são públicos, como os espaços públicos. A praça talvez seja o melhor exemplo de um espaço  livre para o povo. Ao povo também  deve ser garantido o direito  à literatura, direito esse que só pode ser usufruído pelo ato da leitura.

Praça do Shopping Popular de Ceilândia

Praça do Shopping Popular de Ceilândia

Foi pensando nisso que em 2015 o Projeto Bibliorodas passou a frequentar algumas praças. A primeira não poderia ter deixado de ser a Praça do Shopping Popular de Ceilândia. Por lá, estivemos ao longo de 6 meses. Organizamos uma estante para o leitor e observamos o movimento dos livros indo e vindo, é bem verdade que muitos livros criaram asas e voaram alto, devem estar por aí…livres.

Também estivemos de passagem pela Praça do Varjão, onde distribuímos livros e leituras em uma ação voltada aos jovens. Fomos um pouco adiante no mapa do DF e nos instalamos em uma praça de Sobradinho. Lá experimentamos um formato diferente, com um cantinho fixo para os livros. O cantinho do Bibliorodas em Sobradinho recebe visitas de leitores a qualquer hora do dia, todos os dias.

As praças, assim como as feiras, expressam o valor da liberdade tão inspiradora para os leitores. São espaços públicos que precisam ser tomados como espaços de cultura e expressão de seu povo. A luta pela leitura une-se à luta pelo espaço público, pelo espaço da liberdade do livre pensar, do livre estar e ocupar.

“Portanto, a luta pelos direitos humanos abrange a luta por um estado de coisas em que todos possam ter acesso aos diferentes níveis da cultura. A distinção entre cultura popular e cultura erudita não deve servir para justificar e manter uma separação iníqua, como se do ponto de vista cultural a sociedade fosse dividida em esferas incomunicáveis, dando lugar a dois tipos incomunicáveis de fruidores. Uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos’ e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável.” ( O direito à literatura, Antônio Cândido)

Praça de Sobradinho

Praça de Sobradinho

Em 2016 continuaremos em luta pelo direito à literatura em espaços públicos. Aguardem notícias!

Publicado em Ceilândia, Planejamento, Sobradinho | Deixe um comentário

Gratidão

IMG_20150620_113854484_HDR[1]Todos os anos a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil  organiza o Salão  FNLIJ doLivro para Crianças e Jovens. O evento acontece no Rio de Janeiro e reúne autores, editoras, ilustradores e muitos leitores. O Salão FNLIJ é um grande encontro, principalmente, para os estudantes que são levados pelas escolas do Rio para participarem das várias atividades que acontecem e, sobretudo, degustar um pouco da literatura que se espalha pelos corredores do Salão.

A programação do Salão FNLIJ inclui seminários, rodas de leitura, palestras, lançamentos, autógrafos e as premiações. Sim, a Fundação há muitos anos premia obras literárias, obras teóricas, relatos de experiências, relatos ficcionais e também programas de incentivo à leitura para jovens e crianças. Para saber mais sobre o Salão FNLIJ, visite a home page:http://www.salaofnlij.org.br/

Neste ano, a  FNLIJ realizou o 20º Concurso para Programas de Incentivo à Leitura
para Crianças e Jovens. Inscrevemos o Bibliorodas  neste Concurso  motivadas pela participação espontânea e constante das crianças e jovens que fazem parte da nossa história.

DSC05737É preciso dizer que, ao pensarmos o Bibliorodas, as crianças não estavam no horizonte de nossas ações; mas, aos poucos, percebemos que os pequenos estão por toda a parte e, sorrateiramente, vão conquistando o seu espaço. Foi assim, por exemplo, o que aconteceu em Senador Pompeu, qual não foi nossa surpresa quando, ao chegarmos para realizar nossa Oficina de Sensibilização de Leitores, nos surpreendemos com tantas crianças que esperavam por nós. Tinha o João Paulo, a Ana Quelly, o Oséias… e os olhinhos deles brilhavam; nos apaixonamos por àquelas crianças que saíram puxando o carrinho cheio de livros sob o sol quente do nosso querido Ceará…. Ah, as crianças!

E na Ceilândia não foi tão diferente assim. Um dia levamos um susto quando flagramos o pequeno Vitor explicando a um  adulto o que era o Bibliorodas, e a diferença entre um romance de adulto e um livro de literatura infantil… Ele sabe direitinho como funciona o Cardápio Literário do Bibliorodas.

A relação do Bibliorodas com as crianças começou de maneira indireta e com o passar do tempo fomos observando que os adultos  muitas vezes escolhiam os livros infantis. Muitos justificam essa escolha, pensando no filho ou no neto. É como se um elo forte do adulto com a criança se fortalecesse por meio da leitura a ser realizada… uma intuição movida a carinho e atenção.

Não podemos deixar de mencionar que sempre declaramos em nossas oficinas e circulações que literatura infantil é aquela feita para a criança, mas que criança não tem idade.

E foi assim que enviamos o Bibliorodas ao Concurso FNLIJ 2015 e tivemos a grata surpresa de termos sido reconhecidos como um programa que incentiva a leitura de crianças e jovens. É isso mesmo… simples assim.

Recebemos o Prêmio FNLIJ com muito orgulho e o dividimos com cada amigo leitor que vivencia a experiência da leitura literária, mas o dividimos, principalmente, com nossos doadores de livros, amigos colaboradores e com as crianças que seguem o Bibliorodas em nossas circulações.

E não há forma melhor de celebrar do que agradecer. Por isso, no último sábado nos reunimos lá na praça – no meio da Feira-Shopping para sorrir, comemorar e retribuir a chegada do Prêmio FNLIJ ao Bibliorodas.IMG_20150620_111003438[1]

Não há mesmo nada melhor do que agradecer e celebrar. Esse é o maior presente.

Por Clara e Edna

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