Atenção, concentração e mãos à obra!

A oficina para organização do acervo do Projeto Ler é Legal no MPDFT aconteceu no dia 21 de junho. O propósito desse encontro foi organizar os livros disponíveis no projeto para facilitar o acesso do público leitor. A metodologia adotada para classificação dos livros  foi a mesma criada para o Bibliorodas: os livros são classificados por cores e cada cor corresponde a um “tipo” de livro.

A tipologia dos livros é pensada na perspectiva dos leitores. Nessa metodologia de classificação, por exemplo, livros com narrativas longas  e muitos personagens são demarcados com uma etiqueta vermelha. Livros com histórias curtas , narrativas rápidas e cotidianas recebem outra cor. A organização do acervo do “Ler é Legal” deu-se com a utilização de seis cores que foram discutidas com o grupo num momento anterior ao dia da organização do acervo em si.

Como as etiquetas já estavam preparadas para a oficina, o desafio proposto foi juntar todos os livros do projeto e, um a um, classificá-los de acordo com as cores definidas.

Antes de iniciarmos esse trabalho manual, a equipe do MPDFT foi presenteada com uma experiência do que poderíamos chamar de “percepção de si”. Esse momento foi conduzido pelo nossa amiga e colaborados do Bibliorodas, Cida Bontempo, que convidou a todos para uma prática rápida de Yoga. Foram preciosos minutos dedicados à respiração, concentração, percepção do corpo e do presente.

Cida nos falou da alegria de poder estar ali com o grupo para participar dessa ação em benefício de outras pessoas e do quanto é importante entendermos que para irmos ao encontro do outro é preciso que busquemos primeiramente essa consciência do presente, do que somos e de como estamos.

Depois dessa prática introdutória, todos os livros foram classificados pelos agentes de leitura do MPDFT. O trabalho que parecia dispendioso foi concluído em poucas horas. No final da tarde, todos os livros estavam classificados, etiquetados e devidamente distribuídos nas prateleiras para a alegria dos futuros leitores.

Nossa gratidão aos colegas do Projeto Ler é Legal que durante três encontros nos mostraram que novas possibilidades de aproximação entre leitor e leitura estão sendo carinhosamente preparados.

Em breve, certamente, teremos boas notícias do “Ler é Legal”!

 

 

 

 

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Amanhã todos terão, eis a lição.

Durante as últimas três semanas nos conectamos com  a poesia, a leitura e a memória de Reynaldo Jardim; experiência que nos anima a irmos ao encontro de novos leitores. Agora, os livros do Rey, como era carinhosamente chamado pelos seus amigos, ganharão asas e poderão habitar novos imaginários.

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Primeira lição

Algo é preciso dar
e não reter, não mentir,
não trair, não subornar
o próprio coração.
(Mas dar pela razão)

Algo é preciso dar:
mesmo a terra de uso.
Mais que o sangue ao banco,
O coração a quem menos queremos
ou desejamos.
Mais que o corpo morto
ao bisturi dos estudantes.

Algo de nós:
mais que o essencial.
O sol da madrugada.
O sal do sono.
A bandeira de trégua.
O salário da greve.
(Sementes para o trigo de amanhã).

Algo de nós:
Não o gesto de luta,
mas a luta.
Não a caridade piedosa
e nossa floração de ouro e rosa.

Algo é preciso dar, Sebastião.
Algo de amar, algo de pão.
Hoje é o verbo dar
a primeira lição,
Pois assim amanhã todos terão.

JARDIM, Reynaldo.  Joaquim e outros meninos.  Rio de Janeiro: Oficinas Gráficas do Jornal do Brasil, 1955. Disponível em: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/reynaldo_jardim

Desde que iniciamos nossas atividades em 2010, recebemos de amigos conhecidos e desconhecidos doações de livros. No começo eram apenas quatro prateleiras de uma pequena estante que abrigava as primeiras doações que somavam cerca de duas centenas de livros, hoje são milhares de livros; quase todos frutos de doações.

Toda doação nos emociona, é energia que pulsa e alimenta nossa esperança. Os amigos doam livros e nós doamos ideias e ações para promovermos a circulação e a leitura literária. O acervo do Bibliorodas hoje é o conjunto de várias histórias, pedaços de tantas leituras, vestígios de tantos leitores.

No mês passado, fomos contatados pela amiga Elaina Daher, sua oferta: uma estante com acervo e tudo.  Tratava-se  de parte expressiva da biblioteca do poeta e jornalista Reynaldo Jardim, autor do poema que compõe este post. Imediatamente confirmamos o interesse. Passamos alguns dias planejando a logística de retirada da mobília e acervo e no dia 17 de fevereiro fomos buscar uma linda estante de 3,5 metros de comprimento e centenas de livros que foram trazidos para o espaço do Bibliorodas.

Passamos três semanas analisando e classificando a doação recebida. Primeiro remontamos a estante com o cuidado que a peça merecia. Depois foi a vez de abrir as caixas de livros, uma a uma. Algumas dezenas de livros de poesia e  romance foram separadas para o acervo do Bibliorodas. Já os livros de teoria, crítica e história foram organizados em cinco caixas para doação à Biblioteca do Instituto Federal de Brasília, Campus São Sebastião, para onde irão obras de autores como Sartre, Paulo Freire, Platão, Freud e duas coleções de capa dura: uma de Monteiro Lobato e a outra de Eça de Queiroz, as coleções merecem lugar numa estante de acesso público, grandes e imponentes que são.

Feita a seleção, promovemos parte do nosso acervo para as prestigiadas prateleiras da nossa memorável estante. Agora o nosso espaço tem também um pedacinho de Jardim.

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Espaço Bibliorodas 

A nova estante já abriga centenas de livros classificados e organizados pelo Bibliorodas, a funcionalidade e beleza do móvel protege os livros da poeira e confere grande prestígio ao nosso projeto.

Os livros ficam nesse espaço aguardando o momento de cada circulação, quando irão ao encontro dos queridos leitores.

Gratidão à família Jardim pela generosa doação.

 

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“Ler é legal”

No dia 10 de fevereiro tivemos a alegria de participar do lançamento do Projeto “Ler é Legal” no MPDFT, o projeto nasce com a proposta de promover o acesso da comunidade que frequenta as promotorias aos livros. Fomos convidados pelo Procurador de Justiça Fausto Rodrigues de Lima e sua equipe a contar um pouco da história do Bibliorodas.

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Foi muito gratificante para os colaboradores e voluntários do Bibliorodas saber que nossa experiência pode contribuir para ampliar os espaços e oportunidades de leitura para a comunidade em geral.

A Promotoria de Justiça de Violência Doméstica contra Mulher de Brasília reorganizou seu espaço com disponibilização de acervo literário variado para que as pessoas possam escolher livros que poderão ser emprestados para  a leitura. Os livros e a organização dos espaços, com poltronas e imagens para estimular a leitura, trazem um novo ar aos corredores do Fórum, agora mais humanizado e acolhedor.

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Nós do Bibliorodas consideramos a inciativa dos servidores do MPDFT exemplar, agradecemos imensamente a oportunidade de participar desse momento e ficamos à disposição para colaborar no que for preciso.

Saiba mais sobre o Projeto Ler é Legal:
aqui:http://www.mpdft.mp.br/…/programas-e-projetos-m…/ler-e-legal

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A praça é dos livros

“A praça! A praça é do povo
Como o céu é do condor
É o antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor!”

(Castro Alves)

As pessoas precisam ter acesso aos bens que são públicos, como os espaços públicos. A praça talvez seja o melhor exemplo de um espaço  livre para o povo. Ao povo também  deve ser garantido o direito  à literatura, direito esse que só pode ser usufruído pelo ato da leitura.

Praça do Shopping Popular de Ceilândia

Praça do Shopping Popular de Ceilândia

Foi pensando nisso que em 2015 o Projeto Bibliorodas passou a frequentar algumas praças. A primeira não poderia ter deixado de ser a Praça do Shopping Popular de Ceilândia. Por lá, estivemos ao longo de 6 meses. Organizamos uma estante para o leitor e observamos o movimento dos livros indo e vindo, é bem verdade que muitos livros criaram asas e voaram alto, devem estar por aí…livres.

Também estivemos de passagem pela Praça do Varjão, onde distribuímos livros e leituras em uma ação voltada aos jovens. Fomos um pouco adiante no mapa do DF e nos instalamos em uma praça de Sobradinho. Lá experimentamos um formato diferente, com um cantinho fixo para os livros. O cantinho do Bibliorodas em Sobradinho recebe visitas de leitores a qualquer hora do dia, todos os dias.

As praças, assim como as feiras, expressam o valor da liberdade tão inspiradora para os leitores. São espaços públicos que precisam ser tomados como espaços de cultura e expressão de seu povo. A luta pela leitura une-se à luta pelo espaço público, pelo espaço da liberdade do livre pensar, do livre estar e ocupar.

“Portanto, a luta pelos direitos humanos abrange a luta por um estado de coisas em que todos possam ter acesso aos diferentes níveis da cultura. A distinção entre cultura popular e cultura erudita não deve servir para justificar e manter uma separação iníqua, como se do ponto de vista cultural a sociedade fosse dividida em esferas incomunicáveis, dando lugar a dois tipos incomunicáveis de fruidores. Uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos’ e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável.” ( O direito à literatura, Antônio Cândido)

Praça de Sobradinho

Praça de Sobradinho

Em 2016 continuaremos em luta pelo direito à literatura em espaços públicos. Aguardem notícias!

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Gratidão

IMG_20150620_113854484_HDR[1]Todos os anos a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil  organiza o Salão  FNLIJ doLivro para Crianças e Jovens. O evento acontece no Rio de Janeiro e reúne autores, editoras, ilustradores e muitos leitores. O Salão FNLIJ é um grande encontro, principalmente, para os estudantes que são levados pelas escolas do Rio para participarem das várias atividades que acontecem e, sobretudo, degustar um pouco da literatura que se espalha pelos corredores do Salão.

A programação do Salão FNLIJ inclui seminários, rodas de leitura, palestras, lançamentos, autógrafos e as premiações. Sim, a Fundação há muitos anos premia obras literárias, obras teóricas, relatos de experiências, relatos ficcionais e também programas de incentivo à leitura para jovens e crianças. Para saber mais sobre o Salão FNLIJ, visite a home page:http://www.salaofnlij.org.br/

Neste ano, a  FNLIJ realizou o 20º Concurso para Programas de Incentivo à Leitura
para Crianças e Jovens. Inscrevemos o Bibliorodas  neste Concurso  motivadas pela participação espontânea e constante das crianças e jovens que fazem parte da nossa história.

DSC05737É preciso dizer que, ao pensarmos o Bibliorodas, as crianças não estavam no horizonte de nossas ações; mas, aos poucos, percebemos que os pequenos estão por toda a parte e, sorrateiramente, vão conquistando o seu espaço. Foi assim, por exemplo, o que aconteceu em Senador Pompeu, qual não foi nossa surpresa quando, ao chegarmos para realizar nossa Oficina de Sensibilização de Leitores, nos surpreendemos com tantas crianças que esperavam por nós. Tinha o João Paulo, a Ana Quelly, o Oséias… e os olhinhos deles brilhavam; nos apaixonamos por àquelas crianças que saíram puxando o carrinho cheio de livros sob o sol quente do nosso querido Ceará…. Ah, as crianças!

E na Ceilândia não foi tão diferente assim. Um dia levamos um susto quando flagramos o pequeno Vitor explicando a um  adulto o que era o Bibliorodas, e a diferença entre um romance de adulto e um livro de literatura infantil… Ele sabe direitinho como funciona o Cardápio Literário do Bibliorodas.

A relação do Bibliorodas com as crianças começou de maneira indireta e com o passar do tempo fomos observando que os adultos  muitas vezes escolhiam os livros infantis. Muitos justificam essa escolha, pensando no filho ou no neto. É como se um elo forte do adulto com a criança se fortalecesse por meio da leitura a ser realizada… uma intuição movida a carinho e atenção.

Não podemos deixar de mencionar que sempre declaramos em nossas oficinas e circulações que literatura infantil é aquela feita para a criança, mas que criança não tem idade.

E foi assim que enviamos o Bibliorodas ao Concurso FNLIJ 2015 e tivemos a grata surpresa de termos sido reconhecidos como um programa que incentiva a leitura de crianças e jovens. É isso mesmo… simples assim.

Recebemos o Prêmio FNLIJ com muito orgulho e o dividimos com cada amigo leitor que vivencia a experiência da leitura literária, mas o dividimos, principalmente, com nossos doadores de livros, amigos colaboradores e com as crianças que seguem o Bibliorodas em nossas circulações.

E não há forma melhor de celebrar do que agradecer. Por isso, no último sábado nos reunimos lá na praça – no meio da Feira-Shopping para sorrir, comemorar e retribuir a chegada do Prêmio FNLIJ ao Bibliorodas.IMG_20150620_111003438[1]

Não há mesmo nada melhor do que agradecer e celebrar. Esse é o maior presente.

Por Clara e Edna

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Estamos de Volta ao Blog!

Estávamos com saudade deste espaço. Se a gente contar que havíamos perdido a senha do Blog, vocês acreditam…? É, foi isso mesmo que aconteceu, por isso ficamos algum tempo sem postar nada neste Blog. Convém, portanto, uma breve retrospectiva dos últimos acontecimentos.

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Unicamp

No segundo semestre de 2014 participamos do Congresso Nacional de Leitura (COLE) naIMG_20140729_131412738_HDR Unicamp, sem dúvida um dos maiores encontros sobre leitura do país. O 19º COLE teve como tema: “Leituras sem Margens”. Na ocasião apresentamos a experiência do Projeto Bibliorodas como uma ação de intervenção literária. Mas o COLE é, principalmente, um lugar onde se deve ouvir histórias. Um dos pontos altos do Congresso foi a Conferência da Marina Colassanti. Ela contou sobre o seu processo de criação com sagacidade e ternura. Estar no COLE é uma possibilidade de beber um pouco na fonte e fomos beber histórias de leituras e leitores. Para saber mais sobre o COLE: http://cole-alb.com.br/

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o Acervo em um Box

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Acervo em um Box

De volta às circulações literárias na Ceilândia, fizemos algumas experimentações. Queríamos aproximar ainda mais livros e leitores. Por dois meses disponibilizamos grande parte de nosso acervo em um box no Shopping Popular, uma experiência que nos deu muitas ideias.

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Pesquisadoras da Universidade Católica

Durante um mês, recebemos a visita de um grupo de pesquisadoras da Universidade Católica de Brasília-UCB. O Bibliorodas e o processo de letramento no Shopping Popular de Ceilândia foi objeto de pesquisa das alunas da Especialização em Letras da UCB. Recebemos o trabalho final escrito pelo grupo com grande alegria.

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Universidade Católica

Em Setembro, em Brasília, participamos do 12ºEncontro de Letras da Universidade Católica. Em uma das noites do encontro, apresentamos um pouco das nossas estratégias de sensibilização de leitores. Dialogamos com professores e alunos do Curso de Letras e testemunhamos uma oportunidade de aprendizagem real. Para saber mais do 12º Encontro de Letras da UCB: http://www.ucb.br/textos/2/1581/12EncontroDeLetras/?slT=8

Entre esses eventos, voltamos ao Shopping Popular todos os meses. Fomos aos nossos leitores fidelizados levar livros e conversar. Diminuímos um pouco o ritmo com a chegada do final do ano; era tempo de decantar as ideias, avaliar as atividades e descansar.

Neste ano, retomamos as atividades depois do Carnaval. Começamos uma fase de estudo de possibilidades.

Veio então a possibilidade de participarmos do TEDx UnB. (http://www.tedxuniversidadedebrasilia.com/) Um evento que reuniu cerca de 130 pessoas para trocas de boas experiências. No evento tivemos a oportunidade de conhecer pessoas criativas, engajadas e dispostas a trocar experiências que transformadoras.

CEF 12 - Ceilândia

CEF 12 Ceilândia

Fruto dessa participação no TEDxUnB, foi nossa ida ao Centro de Ensino Fundamental 12 em Ceilândia, a convite das professoras Vitória e Gina. No CEF 12 tivemos a grande satisfação de falar sobre as possibilidades de sensibilizar leitores. Lá, nossos interlocutores foram os próprios professores. Foi uma manhã de sábado emocionante e bastante agradável.

Agora que contamos um pouco da nossa fase de intenso diálogo e trocas de experiências, queremos contar um pouco dos últimos acontecimentos na Ceilândia.  Mas isso vai ficar para o próximo Post!

por Clara Etiene & Edna Freitass

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Vocês sempre voltam!

DSC09269No último sábado, 07 de junho, chegamos ao Shopping Popular de Ceilândia às 12h e fomos almoçar na Praça de Alimentação. A comida  caseira, quentinha e o carinho com o qual sempre somos servidas fazem a gente se sentir em casa, literalmente. É durante nossos almoços, ali na Ceilândia, que conversamos, planejamos, discutimos as ações do Projeto. Muita coisa surge nesses almoços.

Fizemos um rápido balanço do que estava emprestado e achamos melhor circular  apenas para recolher livros. Às vésperas da Copa do Mundo, decidimos fazer um recesso nas circulações a partir da próxima semana.DSC09271

Com os carrinhos vazios circulamos pela parte superior do Shopping, primeiramente. Os feirantes nos cumprimentam e trocam suas impressões conosco sobre a Copa do mundo:

“- Parece que durante essa Copa, só vai vender quem tiver camiseta do Brasil…”

De fato, observamos que o Shopping Popular está coberto pelo verde e amarelo das camisetas que estão à venda na maioria das bancas…

Passamos pela banca da nossa leitora costureira, Maria José, recebemos o livro e o sorriso costumeiro. Avisamos que iríamos entrar em um recesso.

Passeamos por outras bancas. A Dona Lúcia buscou o livro e disse que faltava pouco pra terminar. Então não o recolhemos, ficará para quando voltarmos. Conversamos com mais alguns feirantes, falamos sobre moda, costura, comércio. A gente já se sente meio parte daquilo tudo.

Descemos as escadas e fomos ter com o senhor Crispiniano, leitor sempre simpático. O senhor Crispiniano lê e compartilha a leitura com seus vizinhos. Quando passamos por lá, há sempre comentários sobre os livros.

Lá no outro corredor tem a Cláudia, que nos recebeu dizendo que não iria devolver o livro, ainda faltava um pouco. Rimos e avisamos que entraríamos em recesso. Ela falou, enfaticamente:

“Mas, vocês sempre voltam!”

Viramos um corredor e encontramos uma banca grande, bonita, arrumada mesmo. A banca da Fatinha, quase uma loja. Paramos pra conversar, falamos sobre livros, doações, ficamos amigas. Ela elogiou muito nossas Bibliorodas, nós elogiamos muito sua banca.

A Dona Creise, costureira, alegre, devolveu um Luís Fernando Veríssimo, disse que leu rápido. Queria outro. Quando o leitor pede, a gente atende. Deixamos com ela um livro que acabáramos de receber. Aconteceu a mesma coisa com o Antônio, devolveu um livro e ficou com outro.

DSC09273A Zaira queria um livro diferente, já leu quase toda a nossa série de histórias de terror. Então a convidamos para subir conosco ao cantinho onde guardamos os nossos livros. Ela então, sacou da prateleira “A menina que roubava livros”… E olha que ela só gosta de terror… Pelo jeito se encantou pelo título.

Isso tudo aconteceu ontem. Hoje, escrevendo esse post, ficamos aqui lembrando de cada leitor … cada um deles pra nós já tem nome e gosto. Cada um tem uma história, uma identidade… e já fazem parte da nossa vida. Entramos em recesso e já estamos com saudades.

Por Clara e Edna

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Leituras na feira!

Retornamos nossas atividades em fevereiro. Desde então, quantos leitores, quantas alegrias! Quando se aproximam dos carrinhos do Bibliorodas, já vêem com o nome do livro e autor que desejam ler, saborear. Sim, temos muitas leituras na feira!

 

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Bibliorodas de Quixadá: “Caminhando e cantando e seguindo a canção”

Parte I

Lena e Romário

 “Caminhando e cantando e seguindo a canção”… até dizem que não é de bom grado começar um texto com uma citação. Porém, é exatamente com a letra da canção de Vandré que o inicio, pois temos nos identificado muito com ela, nos três últimos meses (setembro, outubro e novembro do ano de 2013); estamos aqui tão somente para o caminhar e, com isso, aprender. É assim que vemos a ideia do BIBLIORODAS crescer em nossa cidade: um aprendizado.  E não me venha você dizer que não sabe ou que nunca ouviu falar desse projeto em nossa muito querida Quixadá.  Não? O que estava a fazer enquanto estávamos a circular com carrinhos de livros e aventais pelas ruas da cidade? Pois bem, esteja atento para a descrição de grandes memórias.

lena.Nossas manhãs de sábado tomaram um novo rumo, um novo caminho; embora por vezes a canção perdesse a melodia, fazendo com que a desarmonia e o desequilíbrio roubassem o brilho da canção, estamos seguindo na caminhada, buscando sempre levar aos leitores a compreensão. Querem mesmo saber o que nos motiva?  O brilho nos olhos, a história lida e contada, o sorriso que nos agrada, a amizade aflorada, a dúvida que nos aguarda. Toda circulação é assim: a ansiedade nos corrói, enquanto no Mercado Central e por toda a Galeria, leitores nos aguardam para juntos trocarmos livros; ah, pudéssemos nós, e eles, ficaríamos horas batendo papo, discutindo ideias, compartilhando saberes, conquistamos novos leitores.

Mas, afinal que tipo de livros carregamos? carrinhoDe Marx e Engel, da poesia de Cordéis, Pessoa e Drummond, de Aluísio de Azevedo, Machado de Assis, Rachel de Queiroz, tem também a família Veríssimo. Contamos ainda com um pequeno acervo sobre nosso país com: Gilberto Freyre, Sergio Buarque de Holanda e Darcy Ribeiro. Ah, e como não lembrar o escritor e fundador da Academia Quixadaense de  Letras – AQL. João Eudes Costas, grande memorialista de nossa terra e incentivador do projeto BIBLIORODAS na cidade.

A memória que segue abaixo foi de uma manhã quente de sábado, 16/11/2013. Romário tocava flauta doce enquanto Ingrid e eu seguíamos no trabalho com os leitores. ingridFoi tudo tão encantador…  mas percebia uma tristeza no olhar dos leitores, não sei se por conta do final de ano, ou por conta da melodia que seguíamos, doía em mim, e depois vi que Ingrid sentia a mesma vibração; era a ausência de algo, era a esperança a caminho, era a poesia na música, era a luta de quem em meio aos trabalhos diários parava para debruçar-se em nosso carrinho, buscando até o último livro, um afago, um amor, um carinho. Ao retorno  à biblioteca conversávamos sobre o ocorrido, e eis que minha memória me traz de volta a primeira frase que nos foi apresentada pelas  idealizadoras do projeto, (Clara e Edna) durante o mês de Julho de 2013:

“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome. Essa coisa é o que somos”

José Saramago.

por Lena Lázaro.

Parte II 

Ingrid e Romário

Sarau Poético – encerramento atividades 2013

Depois de termos lido o belíssimo texto acima, quero também escrever um pouco de como foi o encerramento do projeto nesse ano (próximo ano tem mais…).

Pois bem. Como não poderíamos passar de ano sem comemorarmos, resolvemos fazer um momento simbólico apresentando o Bibliorodas dentro de outro evento que eu estava organizando: o Sarau no Sítio, em um ponto turístico de Quixadá que está precisando de restauração e de mais visibilidade e  com esse evento buscamos chamar a atenção da população e das autoridades competentes.

No último sábado estive convidando os nossos leitores a se fazerem presentes neste evento, em que também seria o encerramento Bibliorodas 2013. Compareceu apenas um leitor, mas não tirou o brilho do evento, pois assim também podemos apresentar o projeto a quem não o conhecia.

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Tivemos vários momentos de músicas, de performances de poemas, altas poesias. Logo após, apresentamos o projeto aos participantes, que gostaram bastante de tudo. E no final, foi sucesso como sempre!!!

Agora é só esperar, pois 2014 será um ano cheio de leitura, e vamos nessa:

Bibliorodas é ação!

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por Romário Oliveira

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As Bibliorodas em 2013: o imprevisível, a surpresa e o descobrimento!

“Impossível qualquer explicação: ou a gente aceita à primeira vista, ou não aceitará nunca: a poesia é o mistério evidente. (…) E, embora evidente, traz sempre um imprevisível, uma surpresa, um descobrimento.” Mario Quintana 
Ceilândia, 14 de dezembro de 2013.

Ceilândia, 14 de dezembro de 2013.

No último sábado, 14 de dezembro, encerramos as atividades das Bibliorodas deste ano. Além da exposição de fotos dos locais por onde passamos neste ano, sorteamos para os feirantes de Ceilândia, 50 livros novos. E terminamos o ano com muitos motivos para celebrar.

Fazendo um rápido balanço do que foi o nosso ano de 2013, há muito a agradecer. Ao todo foram realizadas mais de 50 circulações literárias. Estivemos em seis cidades, sendo quatro municípios no Ceará e duas cidades no DF. Registramos, ao longo do ano, o empréstimo de mais de 750 livros. Foram realizadas, também, cinco Oficinas de Sensibilização de Leitores, e foram formados  88 sensibilizadores. Na verdade, fizemos 88 parceiros! As oficinas foram momentos de grande aprendizagem, principalmente para nós.

Nas redes sociais pudemos interagir com várias pessoas e foi possível registrar e divulgar grande parte dessa história. Ao longo deste ano, foram disponibilizados 15 vídeos do Projeto Bibliorodas em nosso canal do You Tube (https://www.youtube.com/channel/UC5KpvVRv02Jkz81FCcAbdQg).

Neste blog foram publicados 48 posts, os quais foram visualizados mais de 7.300 vezes até hoje. No grupo Bibliorodas do Facebook está conectada uma rede de amigos e colaboradores que soma 444 membros.

Mas, o que mais nos alegrou ao longo deste ano foi a mobilização de voluntários e as doações. Foram mais de 2.000 livros recebidos (e olha que nossa meta era conseguir 400 livros), e para realizar nossas atividades, contamos com a colaboração direta de pelo menos 20 pessoas, sem contar os colaboradores que continuam as circulações lá no Ceará.

Sorteio de Livros - Ceilândia

Sorteio de Livros – Ceilândia

Fazemos este balanço e nos emocionamos com o carinho com o qual o projeto foi e continua sendo recebido. Estamos felizes porque o Projeto Bibliorodas, além de ter rodas para correr o mundo, conta hoje com muitos amigos que ajudam a movimentar esse sonho. O Bibliorodas é essa vontade de sair por aí oferecendo leitura. Temos orgulho dessa ideia estar girando, ganhando novas formas e conquistando mais leitores.

Há tanto o que agradecer, são tantos nomes e instituições, mas mesmo correndo o risco de esquecermos de alguém, pedimos licença para registrar o reconhecimento de  algumas ações, pessoas e instituições, sem as quais o Projeto não teria chegado a tantos lugares com tanta disposição.

Agradecemos ao apoio da FUNARTE e da Fundação Biblioteca Nacional, pelo Prêmio recebido em 2012, cujos recursos possibilitaram toda a expansão do Projeto em 2013. Agradecemos às Prefeituras e Secretarias de Educação e Cultura dos Municípios de Banabuiú, Quixadá, Quixeramobim e Senador Pompeu, no Sertão Central do Ceará. Agradecemos imensamente a acolhida e apoio do Shopping Popular de Ceilândia. Agradecemos aos colaboradores: Ana Maria Lima; Cida Bomtempo; Estevon Nagumo; Hosana Paz; Jaqueline Nobre; Marcela Tibes; Kelly Paixão; Margareth Villalba; Rafael Batista;  Romont Willy; e todos aqueles que dividiram conosco a alegria das atividades realizadas em 2013. Agradecemos aos amigos que fizemos no Sertão Central do Ceará e aos amigos aqui do DF com quem sempre podemos contar. Agradecemos a todos os doadores de livros  e agradecemos aos poetas, escritores e leitores que fazem a literatura estar viva.

 Que venha 2014!

Ceilândia, dezembro de 2014

Ceilândia, dezembro de 2013

Clara Etiene e Edna Freitass

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